Por que o Brasil não possui seus próprios fertilizantes?

por Gustavo Cabral

O Brasil consome anualmente mais de 55 milhões de toneladas de fertilizantes. O país é responsável por cerca de 8% do consumo global de fertilizantes, ocupando a quarta posição, atrás apenas da China, Índia e dos Estados Unidos. Soja, milho e cana-de-açúcar respondem por mais de 73% do consumo de fertilizantes no País. Alimentos historicamente destinados ao abastecimento do mercado interno (como feijão e arroz) ainda apresentam grande margem para ganhos de produtividade agrícola, mas são mais suscetíveis à volatilidade dos preços de insumos agrícolas no mercado internacional.

No entanto, mais de 80% dos fertilizantes utilizados no País são importados, evidenciando um elevado nível de dependência externa em um mercado dominado por poucos fornecedores. Essa dependência deixa a economia brasileira, fortemente apoiada no agronegócio, vulnerável às oscilações do mercado internacional de fertilizantes. Esse cenário sensibiliza diretamente o produtor rural brasileiro.

Dois deles, particularmente, preocupam o setor agropecuário neste momento: nitrogênio e potássio, obtidos respectivamente do gás natural e da mineração. Se analisarmos o Potássio como exemplo, que é um setor extremamente oligopolizado, temos maior dependência, com as principais jazidas comerciais presentes em apenas quatro países em um mercado dominado por três empresas. É sabido que a Amazônia Legal abriga uma imensa reserva de potássio, porém a solução mágica pode não ser tão simples assim, o potássio brasileiro provém de uma rocha de nível de mineração muito mais difícil do que do leste Europeu e do Canadá por exemplo, e a logística do processo deverá deixar o produto nacional mais caro do que o importado. Além das questões ambientais, que são de suma importância.

Atualmente, o Brasil não conta com um sistema de dutos grande o suficiente para dar conta de escoar o gás utilizado para a produção de fertilizantes nitrogenados. Para efeito de comparação, o Brasil tem 40 mil km de canos, enquanto os Estados Unidos contam com 400 mil km em seu sistema de escoamento. Além disso, o Brasil conta com somente quatro fábricas de fertilizante nitrogenado. Todas pertenciam à Petrobras, mas duas delas, localizadas em Camaçari-BA, Laranjeiras – SE estão sendo administradas pela Proquigel (UNIGEL) e duas não estão em funcionamento (Três Lagoas – MS e Araucária – PR).

A ureia e outros produtos nitrogenados provêm do gás natural, e o custo do gás brasileiro impossibilita que o produto brasileiro seja competitivo. A Rússia tem as maiores reservas de gás natural do mundo e fornece cerca de 40% do gás natural utilizado pela Europa. Todo o sistema já existente, o tamanho das reservas e a logística já em curso fazem que tenha uma dificuldade na competição com o preço de seus produtos.

Parece difícil de entender, como uma potência mundial em agricultura, necessita de importação de fertilizantes. Mas a resposta é simples e direta: falta de infraestrutura e de políticas públicas. Com isso, e com o objetivo de minimizar problemas como relatado, é necessário seguir algumas metas estratégicas:

  • Modernizar, reativar e ampliar as plantas e projetos de fertilizantes existentes no brasil;
  • Melhorar o ambiente de negócios no brasil para atração de investimentos para a cadeia de fertilizantes e nutrição de plantas;
  • Promover vantagens competitivas na cadeia de produção nacional de fertilizantes para melhorar o suprimento do mercado brasileiro;
  • Ampliar os investimentos em pd&i (projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação) e no desenvolvimento da cadeia de fertilizantes e nutrição de plantas do brasil e adequar a infraestrutura para integração de polos logísticos e viabilização de empreendimentos.

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